ENTREVISTA – Marcelo Germano

FONTE - Marcelo Germano: empresário, especialista em gestão empresarial e idealizador do método do EAG - Empresa Autogerenciável. Vencedor do Prêmio Mindshifters – Gestão/Vendas - RD Station)


1 - Marcelo, por favor, conte pra nós um pouco mais sobre o Programa EAG. E, em específico, o que você diria em termos de gestão e expectativas, para quem procura uma franquia e ainda não encontrou?

O programa EAG é um programa prático, votado a donos de pequenas e médias empresas. Ele envolve toda a empresa, pois a gente direciona os donos a aplicar metodologias de gestão ao mesmo tempo que engaja os colaboradores. É um programa baseados em 6 fundamentos:

1º Domínio pessoal: a empresa é um reflexo do dono, então a gente trabalha o dono para que ele seja a pessoa que vai conduzir a empresa rumo ao sucesso.

2º Cultura Organizacional: Cultura é o “jeitão” que a empresa funciona, envolve todo o ambiente empresarial. A gente trabalha fundo para construir uma cultura de engajamento voltada para soluções de problemas e atingir resultados.

3º Liderança : não se constrói uma cultura forte com liderança fraca. Através da nossa metodologia, desenvolvemos não só a liderança do dono da empresa como também de líderes que esse dono precisa formar.

4º Gestão: a atividade empresarial envolve fazer uma boa gestão dos recursos da empresa em busca dos resultados. Para fazer gestão precisa de Planejamento Estratégico, processos, indicadores e acompanhamento dos resultados, e nós capacitamos os empresários para fazer isso.

5º Finanças: não se controla riqueza sem gestão financeira. Na atividade empresarial nós costumamos dizer que faturamento é vaidade, lucro é sanidade e caixa é rei. E com base nisso, nossos clientes conseguem alavancar os resultados após dominarem as alavancas financeiras do negócio.

6º Tração: é como a empresa atrai possíveis clientes, transforma eles em compradores e fazem com que continuem comprando. Não existe outra forma de crescer uma empresa. Diante de todas as possibilidades de tração de um negócio, nós damos consciência e ferramentas para que o dono de uma PME tire o máximo de resultados para as empresas.

Para quem procura uma franquia e não encontrou, eu diria em termos de gestão para começar fazendo o certo. Muitas vezes na ânsia de fechar negócio e com um otmismo exagerado, o candidato à franqueado ignora informações preciosas sobre os negócios. 

É preciso estudar muito bem o modelo de negócio e, principalmente, ele precisa entender que a grande diferença nos resultados de uma operação é ter um dono preparado, focado e que entenda o que está fazendo.


2 - Você tem desenvolvido um trabalho fantástico com o conceito da Universidade Corporativa através de plataforma. Ficamos imaginando quais as dificuldade de um treinamento mais profundo, via EAD. Como funciona isso na prática, o que a pessoa ganha através desse modelo?

O Fórum Econômico Mundial disse que a habilidade de aprender vai ser a competência mais exigidas dos profissionais que querem vencer na carreira. A tecnologia permite que a experiência de aprendizagem entregue muito valor. Existem muitos recursos disponíveis como gameficação (do o inglês gamification, é o uso de mecânicas e características de jogos para engajar, motivar comportamentos e facilitar o aprendizado de pessoas em situações reais, tornando conteúdos densos em materiais mais acessíveis), trilhas de conhecimento de acordo com as preferências de cada aluno. Aprender em ciclos curtos e já colocar em prática. Participar de desafios de aprendizagem e de desenvolvimento de competências. Participar de fóruns e comunidades. Além de o aluno aprender no próprio ritmo.

O jeito de aprender está mudando e a tecnologia é um grande aliado nesse momento.


3- Sabemos que você tem uma experiência muito longa com a parte de gestão. Conta pra nós algum case, que você acha que traz algum ensinamento, sabedoria, e que seja relevante na sua caminhada?

Nós temos centenas de cases de sucesso. Eu gosto muito do caso do Victor Reis da Med Mais. Ele começou com a gente em 2017, quando a empresa tinha por volta de 50 funcionários e não tinha nada de gestão, nem financeira, nem de pessoas. Hoje a empresa tem mais de 200 mil funcionários, é líder do setor em que atua, tem uma cultura muito forte e difundida de Norte a Sul do pais, e cresce assustadoramente todos os anos. Tudo isso foi possível porque o Victor aprende e coloca em prática.

Ele executa todos os fundamentos e com isso tem se tornado um empresário mais completo.


4 – Fale também sobre dificuldades na caminhada como empresário, alguma história de algum grande problema, desafio, que você desembaraçou, resolveu, e possa dividir conosco?

No começo da trajetória empresária, a gente escolheu uma estratégia B2B, que é quando a empresa vende para outras empresas. No nosso portfólio tinha grandes empresas. Porém a gente tinha um risco no nosso negócio que era um cliente que respondia por mais de 30% do nosso faturamento. Na Crise de 2014/2015, esse cliente começou a pressionar a gente para uma redução dos valores do nosso serviço. Mesmo fazendo um ótimo atendimento, perdemos o cliente. Esse é um erro muito típico de pequenas e médias empresas que vendem para grandes empresas. Isso gera uma acomodação quando tudo está indo bem. Quando perdemos esse cliente, perdemos um cliente de 5 milhões de reais de faturamentos, e nossas despesas eram bem altas. A empresa afundou e para salvar a empresa a gente teve que aprimorar muito nossa capacidade de fazer gestão, nossa capacidade de fazer mais com menos. Foi um período muito duro, mas que serviu para nos preparar emocionalmente e em termos de gestão para enfrentar a crise gerada pela pandemia.  

Nossa empresa voltou a crescer, recuperou o cliente e aumentou o portfólio com outros clientes na nossa carteira. Gosto de dizer que a gente aprendeu do jeito mais difícil e os donos de PME não precisam aprender desse jeito, e nem passar por esse tipo de problema. Eles podem aprender com os nossos erros.


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